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colonizações parte dois

tio sam, quando descobriu que o molho da baiana realmente melhorou seu prato, percebeu que aqui havia algo, além das brazilian pretty women, do pelé e do carnaval. havia petróleo, um bom número de consumidores e terreno fértil pra talvez uma ou duas ditaduras. não parava de cantarolar sorrindo, com ares de sonho, what aContinuar lendo “colonizações parte dois”

casos de família dois

as mulheres mais velhas de minha família foram faxineiras, empregadas, lavadoras de roupas e mães emprestadas em suas histórias, mesclam casos de família com os casos da patroa o amor que deu aos filhinhos estrangeiros foi dividido com a prole legítima, que carregava a trouxa da roupa suja dos falsos irmãos debaixo do braço passavamContinuar lendo “casos de família dois”

casos de família um

serra, serra serrador na cadeira do vovô eu ia e voltava seu cabelo era grande, quase negro eu sentia um frio na nuca a cada descida “mamãe, vou cair!” eu agarrava suas mãos de unhas sempre pintadas, seus dedos sempre enrugados você ria de olhos e dentes serra, serra serrador na cadeira do vovô naContinuar lendo “casos de família um”

o fim do trabalho

quando anunciaram sua extinção, ninguém entendeu nada. foi por pronunciamento oficial na rádio, antecedido por Villa Lobos e o retumbar marcante da Voz do Brasil. certo, mas o que é que aquilo significava? os intelectuais ficaram em alerta, todos buscando em seus livros, textos, artigos e súmulas alguma explicação plausível. não encontraram nenhuma – havia um limite na filosofia das palavras que empacava no arbítrio do poder.

colonizações parte um

“com tanta inocência assim descobertas”¹ américo vespúcio, entediado com os privilégios de sua vida de pais comerciantes, fez o que todo jovem classe média alta se propõe a fazer, em meio suas crises existenciais,  descobrir o mundo] soberbo e inconsequente, carregando algumas varíolas, gripes pelo mundo afora, não poderia ter previsto que seu nome seriaContinuar lendo “colonizações parte um”

Um Alien Neon no Carnaval

Chorar é uma bosta, mas é ainda pior quando se está usando rímel. A cara preta de olheiras falsas denunciava o que Érica estava fazendo no banheiro. Tinha que voltar para a maldita festa, mas não conseguia consertar nem suas lágrimas, nem sua cara amassada. Estava na frente do espelho, num lugar totalmente esquisito, ouvindoContinuar lendo “Um Alien Neon no Carnaval”

fúria

A mão tentava menos segurar e mais evitar que a caixa escorregasse, havia algo de úmido em seu corpo, talvez fosse pelo calor insuportável daquele dezembro chuvoso ou fosse uma soma dos esforços precoces daquela manhã. Já era a décima caixa que trazia da rua, atravessava as portas de madeira e caminhava brevemente pelo grandeContinuar lendo “fúria”

Januário

Não tinha tempo ruim pra Januário. Ele se torcia por debaixo das frestinhas da janela da Vovó e invadia a casa todo imperial, de pescoço peludo pra cima e focinho em pé. Era o gato mais elegante que eu já tinha visto e, ironicamente, era um gato de rua que fugia de água mais rápidoContinuar lendo “Januário”

pequi

passaram a vender pequi no centro da cidade, a lata é cinco reais. fruta do cerrado pequena alaranjada, dá no grande pequizeiro que chega até doze metros de altura. cuidado, não pode morder o pequi, têm espinhos lá dentro. o cheiro de pequi impregna tudo e faz um calor danado de dezembro pós-temporada de chuvas.Continuar lendo “pequi”

manifesto

um manifesto? um manifesto pela falta de manifesto. una idea, sin la idea. é a despretensão da curiosidade artística, sem sua vinculação com o futuro da obra, é a obra em si, enquanto expressão, embora não expresse nada ainda. uai, por qué no? mientras la expresión de una voluntad que aún no sabemos como certa.Continuar lendo “manifesto”

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